quarta-feira, 30 de abril de 2008

De Analista de Negocios a Garcon de Corrida de Cavalos

Finalmente consegui meu primeiro emprego em territorio estrangeiro. Na primeira semana eu havia conseguido um trabalho para arrumar prateleiras, mas aquela historia de infomalidade... de repente o cara nao me ligou mais! Ontem liguei pra ele, vou mandar o CV de novo, enfim...

Felizmente, apos tres semanas consegui a primeira fonte de renda, um bico de Garcon, no maior evento de corida de cavalos da Irlanda.

Para contar a historia desde o comeco, como consegui este bico? Meu amigo que esta aqui comigo (Edu Giansante) conseguiu esta vaga, mas na sexta-feira, enviaram um SMS cancelando, falando que nao precisariam mais dele. Ficamos p. da vida, mas tudo bem. O evento comecou na terca-feira, dia em que, as 22h, a mesma empresa que havia cancelado a presenca do Eduardo, ligou solicitando que ele fosse, e que levasse ainda mais 3 pessoas... foi ai que me encaixei.

Primeira paralelo rapido: Quando a empresa nao quer mais o funcionario, eh mto facil dispensa-lo, pois qdo ela precisa, o funcionario vai como um cachorrinho. O Analista ou o Garcon, e ateh mesmo o Analista Garcon!

Comecei a trabalhar. Quarta-feira de manhazinha jah estava em Purchstown, recebendo instrucoes do meu novo chefe e morrendo de medo de fazer um monte de besteira.

Primeiro dia, tudo deu certo! Servi todo mundo direitinho. Eram apenas eu uma polonesa servindo e limpando mesa de cerca de 200 pessoas, mas tudo deu certo e teve ateh gorgejinha no final.

Segundo dia, um pequeno incidente. Apos servirmos o almoco (buffet), todos haviam comido refeicao e sobremesa, chegou a hora de recolher os saleiros, manteigas, etc. Eu tava correndo pra um lado, o gerente correndo pra outro quando ele gritou ''Homer, collect salt, pepper and butteries!'', e eu prontamente atendi. Peguei uma bandeja e recolhi da primeira mesa, mas na segunda quando fui pegar o saleiro ''pluft''! Eis que caiu um copo de vinho, e caiu em um dos senhores da mesa.

A mulher dela riu-se e disse: ''Oops, You`re so lucky!'' (pq nao caiu no vestido dela), e o marido dela com aquela cara de bunda. Peguei a toalhinha tentei ajudar.

Segundo paralelo: Serah que no mundo corporativo eh diferente? Voce esta correndo pra entregar algo, de repente vem seu chefe e grita ''Fulano, preciso de outra coisa pra agora!'' Voce uimediatamente para o que estava fazendo e sai correndo pra atender o pedido, e quando finalmente termina o relatorio, manda com um valor desatualizado. Ou seja, na pressa acaba fazendo uma pequena lambanca.
Terceiro dia, o casamento: Nada de estraordinario aconteceu, apenas que precisavamos servir a ''Top Table'' (mesa dos noivos) primeiro, e todos de uma soh vez. Entao, ensaiamos. Na hora de servir, apareceu gente pra ajudar de outro lugar, e quem era de lah mesmo ficou ainda mais perdido. Mas no final conseguimos servir a todos sem desastres ou atrasos.

Terceiro paralelo: Passei por uma situacao parecida como Analista de Negocios. estavamos todos correndo para finalizar o projeto, de repente o gerente chamou reforco de todos os cantos possiveis, gente que nao sabia do que se tratava o projeto ou ateh mesmo o cliente. Vieram pra ajudar, mas no final das contas todo o trabalho deles foi jogado no lixo, pois foi impensado e descordenado. Perda de mais tempo e de um bom dinheiro, pois eram recursos caros para o projeto.

Quarto e ultimo dia: Open bar, para enlouquecer qualquer garcon? Ou nao, creio que foi o dia mais bacana, em que clientes e funcionarios (garcons) estavam mais leves. Pra mim correu tudo bem, e o chefe ateh liberou uma cervejinha no final.

Quarto pararelo: O ultimo dia de trabalho normalmente eh bem legal, desde que seja um final planejado! Quando isso acontece, a cerveja eh sempre uma das companheiras, tanto pro analista, quanto para o garcon.

Para quem quer mais noticias sobre a Irlanda, acesse http://e-dublin.blogspot.com

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Trampos e Trabalhos

Finalmente, depois de mais de mês que fiz o último post, cá estou eu de volta ao mundo do blog.

Agora já em uma nova rotina, morando em Dublin, na Irlanda, como intercambista.

Bom, até o momento acredito que mandei cerca de 200 currículos (todos pela internet), e estou agora "empregado".

A minha pequena experiência no Brasil ainda nao me ajudou efetivamente, mas acredito que possa ajudar num futuro próximo. Recebi algumas respostas questionando sobre o "work permit" (visto para trabalhar legalmente na Irlanda), mas ainda nada efetivo... ou por falta de "work permit", ou por que meu visto de estudante só me permite trabalhar part-time (meio período).

Bom, enquanto a boa notícia nao chega, vou tentando me acostumar com os "Trampos", em que o contrato é um aperto de mao e um "Muito Obrigado".

Pela primeira vez, vou passar pela experiência de receber menos do que preciso pra viver, mas vou continuar procurando, pois ainda nao botei fé e nao me satisfiz. O problema nao é o trabalho (arrumar prateleiras), e sim nao ter o suficiente para viver!

Completando duas semanas de Irlanda, e 1 mês longe de trabalho formal, tudo ainda é festa. Com o tempo certamente aprendizados sobre as diferenças de trampo e trabalho virao...

Amanha é dia de trampar... ou nao, depende... de o Fred da Dee Set me ligar, tomara que ligue, ou nao... tomara que ligue outra empresa pra fazer entrevista! Ia ser bom... estou na expectativa... mandando vários e vários currículos todos os dias!

Vejam mais sobre minha vida em dublin em http://e-dublin.blogspot.com .

domingo, 9 de março de 2008

Demissão honesta!

Não existem regras no meio corporativo, mas existem formas justas e honestas de realizar as coisas.

Porém, nossa experiência mostra que a sinceridade, assim como na vida pessoal, é sempre o melhor caminho.

"Demissão honesta" é quando as duas partes, empregador, e empregado sabem antecipadamente do fato, e tem plena consciência do porque está acontecendo.

Eu vou contar minha última experiência, em que pedi demissão, porém, vou pedir o Rogério iniciar uma história, da última vez em que ele teve que demitir um subordinado.

Para iniciar qualquer história, é preciso salientar, que em tudo nessa vida é necessário franqueza e objetividade. Dito isso, a minha gestão, sempre embasada na tranquilidade, confiança e responsabilidade de cada um busca trazer um ambiente mais tranquilo para todos.

Neste cenário, todos estão abertos a darem idéias, ajudarem, pedirem ajuda, dar e receber feedback.

Meu último estagiário recebeu feedbacks, praticamente diários:

Segunda...
- Faz isso pra mim até amanhã... por favor!
- Ok!
Terça...
- Ta pronto?
- Pô, esqueci
- Quando eu peço com um prazo é por que preciso que ele precisa ser cumprido! Não é a primeira vez que você me dá uma dessa!
Quarta...
- Desculpe Rogério! Tive médico agora de manhã.
- Ok! Tente me avisar antes da próxima vez. E o que eu te pedi, está pronto?
- Ah, você ainda precisa? Pensei que...
- Da próxima vez me pergunte, por favor.
Quinta... Reunião de feedback!
- Acho que você precisa se comprometer um pouco mais... Tentar se organizar melhor, vida pessoal e profissional. Tem algum problema, algo que possamos gerenciar?
- Desculpe Rogério. Concordo que não estive 100%, mas vou melhorar.
- Ok!

Semana seguinte, e nada muda. Na próxima segunda-feira.
- Anderson, vamos conversar na salinha por favor...
-...Anderson, o que eu faço com você?
- Como assim Rogério?
- Você não entrega nada no prazo e como eu quero. Chega atrasado sem aviso prévio... e a única situação que te deixei tocar sozinho, deu a maior confusão. O que acontece?
- Desculpa Rogério...
- Se você fosse eu, o que você faria?
- Olha Rogério, eu sei que não venho bem... mas...
- O que você faria?
- ...
- Amanhã, passe no DP, por favor.
- Não Rogério, estou com um monte de problemas em casa...
- Você poderia ter me falado isso antes...

A resposta que estava na língua dele era "eu me demitiria". Mas ele tinha tanto medo, que nem no momento mais tenso, conseguiu admitir e ser sincero. Não adianta correr atrás do prejuízo. Quando é uma demissão comum, sem motivos de cortes de custo, o demitido sabe que isso está prestes a acontecer, e só depende dele contornar... sendo sincero consigo, e com quem mais seja necessário.

Este é um dos sentidos da coisa. Quando o funcionário é desligado, ele precisa saber o porquê antecipadamente, e caso hajam motivos, é preciso que isto seja feito no momento certo.

No meu caso, quando me desliguei, já programava isso havia praticamente 1 ano. Almejava uma viagem ao exterior, conhecer novas culturas, e fazer um curso. Na época eu era apenas um analista, jovem e cheio de esperança.

Quatro meses antes da minha viagem, quando tudo já estava acertado, chamei meu gerente para uma conversa (vou colocar o pseudonome de João nele para este texto).

(O Jeferson realmente não é muito criativo pra nomes, enfim...)

- João... desde ano passado venho programando uma viagem, a realização de um sonho, e uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional, que não acontece duas vezes na vida. Viajarei para a Europa, onde pretendo ficar um ano e meio fazendo curso de inglês e um de especialização em gestão em marketing.

João se ajeitou na cadeira... e eu continuei.
- A viagem está programada para daqui 4 meses, então, daqui 3 meses pretendo me desligar da empresa. Terei 1 mês para descansar e preparar os últimos detalhes. Faço questão de te avisar antes, para que possamos nos programar.

Não sei reproduzir as palavras dele, porém, o apoio foi total. Fez questão de manter as portas abertas para quando eu retornar, e com 3 meses de antecedência pode planejar a chegada de um novo analista.

A partir daquele momento, era difícil se manter 100% centrado nas tarefas da empresa, ainda mais com tantas coisas acontecendo, e tantas saudades florescendo. Mas, todos os esforços foram feitos para que se pudesse contar comigo como antes, ou até mais do que antes.

Na data da minha despedida... agradecimentos e desculpas de ambas as partes, mostrando a gratidão pela oportunidade de conviver em um ambiente no qual era visível a franqueza de subordinado e a compreensão e o apoio de gestores. Realmente, para mim, foi o estado da arte do que entendo por “demissão honesta”.

Os dois exemplos não se aplicam a todas as situações do meio corporativo, entretanto são exemplos capazes de justificar a honestidade e a franqueza em grande parte das situações de demissão.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Retrabalho por mudança de escopo

Acho que este post poderia terminar no próprio título... Mas de qualquer forma vale a pena mais algumas linhas.

Roberto, peço licença para ser o autor principal deste post... Por que aconteceu recentemente comigo uma história muito boa sobre este tema.

Fique a vontade Jeferson...

Obrigado... prosseguindo:

Quarta-feira, 9 horas da manhã, o gerente sai em direção a uma reunião com os diretores... como sempre, com uma penca de demanda para seus subordinados! E claro que a mais estupída delas íria cair no meu colo.

(Pessoal, liga não! o Jeferson tem mania de perseguição mesmo)

Na verdade, o que aconteceu é que um trabalho meu, que já estava praticamente terminado teria que ser refeito e multiplicado por 3.

Bom, até aí tudo bem. Não era uma grande mudança de escopo (só um pouco), e sim um aumento do trabalho. Apesar de ser para o dia seguinte.

Eu e meu colega trabalhamos até quase 20h. E alinhamos com a Líder do projeto, que iríamos recomeçar as 9h no dia seguinte, e na parte da tarde (apó uma reunião que teríamos das 10 ao meio-dia), eu finalizaria o trabalho.

Trabalho encaminhado, o que faltava para o dia seguinte, basicamente era um monte de trabalho braçal.

Quinta-feira, 9:30. A Líder do projeto nos vê trabalhando e vem acompanhar o trabalho. E a seguinte conversa acontece:

- E ae meninos? Como estamos?
- Caminhando, já fizemos isso aqui!
- Ué, mas não foi isso que eu tinha pedido! (realmente num foi o que ela tinha pedido, pois quem pediu foi o gerente)
- Como não?
- Era pra fazer isso, isso e aquilo... e a gente combinou que ficaria pronto até às 11h, vai dar tempo?

Os dois se entreolharam, e meu amigo tomou a palavra.
- Não a gente combinou, que iríamos trabalhar nisto até as 10h, iríamos pra reunião e quando voltássemos, o Jeff terminaria.
- Pode largar isso, e fazer o que a gente tinha combinado. Jeferson, você consegue fazer o que combinamos até a hora do almoço?
- Acho que sim!

Desculpe a intromissão, mas um detalhe que o Jeferson esqueceu de contar, é que este novo direcionamento era muito mais simples que o anterior.

Exatamente, eu havia esquecido de mencionar. Obrigado.
Eram aproximadamente 13h quando consegui finalmente terminar. Fomos almoçar.

Quando voltamos a Líder mostrou os relatórios gerados para o Gerente... resultado? Não era isso que ele esperava. Ele esperava exatamente o que estava fazendo anteriormente.

Todos convocados para uma reunião rápida... para discutir a necessidade das informações. O tempo perdido na reunião eu poderia praticamente ter terminado o trabalho... mas no final da discussão, decidiu-se que não era mais necessária a informação.

Ou seja... muito trabalho, e dor de cabeça, jogado no lixo! Trabalho, e retrabalho inúteis.

Qual é a conclusão para isso Roberto?

Resposta: Muita ordem, e pouco foco na solução... princípio básico da consultoria. O que se pode analisar desta situação, é a falta de convicção da liderança no precisa de fato ser entregue.

  1. O gerente promete algo, solicitado pelo cliente (que mal sabe o que e para que está pedindo)
  2. A informação desce até a liderança, que apesar de questionar o necessidade e importância da informação, delega
  3. Os analistas falam que não será uma informação muito importante, mas trabalham sob os comandos da líder
  4. A liderança, sem a certeza de ter dado às ordens corretas, se perde e não consegue ser convincente, nem para si mesma (ordem mudada é ordem dada sem certeza)
  5. A liderança critica o trabalho anteriormente feito pelos analistas para mostrar que o que o gerente havia pedido também não fazia sentido
Final das contas: Analistas insatisfeitos, Líder inseguro, Gerente enganado e Cliente se aquilo que pediu.

Exemplos de liderança (propaganda pro fornecedor do espaço do blog hehe)
http://www.youtube.com/watch?v=NQv0hl38seY&feature=related

Para descontrair...
não se estresse com seus subordinados
http://www.youtube.com/watch?v=zeaTYJNgRq8

Armas letais no trabalho
http://www.youtube.com/watch?v=tDM7xMqR0ic&feature=related

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Personagens do dia-a-dia

Quem acha que quem está escrevendo este blog é o cara da fotinho ai do lado, está muito enganado. Na verdade, eu Roberto, e meu amigo turrão Jeferson.

Exatamente, e ninguém aqui quer tomar os méritos de ninguem. Nós somos o que somos, e não queremos bancar personagens para no final das contas ser reconhecido pelos feitos de outrem.

Roberto, você vive me criticando, dizendo que sou ranzinza, turrão, e num sei mais o que, mas cuidado para o leitor não ficar com uma impressão errada de que estamos acusando ele de alguma coisa... de se fazer de algo.


Que isso... tenho certeza que nossos leitores tem dissernimento suficiente para entender que na verdade estamos falando de personagens no ambiente de trabalho. Até porque, eu nunca conheci alguém 100% autêntico no trabalho, e dúvido que alguém conheça. Peço, ao leitores, que não se sintam acusados, é algo natural, uma defesa.

Como em tudo na vida, no trabalho, precisamos saber a hora de parar, e medir as palavras para que as consequências venham proporcionais aos seus anseios, pois, se proporcionais a sua ansiedade pode ser catastrófico!


O estagiário, quando chega na empresa, começa a trabalhar, bem que se esforça para fazer o tipo sério, comprometido e capaz de cumprir todas as tarefas, mas ainda é autêntico demais para isso. É o ser humano in natura, despreparado para o mundo corporativo.


O gerente já é o contrário, e o ser humano lapidado até o último sentimento. Postura invejável de um executivo, representante comercial da companhia.

É fato que o ser humano veste personagens para cada situação da sua vida, porém o mais mascarado é o trabalhador... Quem nunca passou pela situação, de por um acaso, sair com alguém do trabalho para um Happy Hour e soltar a seguinte frase: "Nossa, nunca imaginaria isso de você... tão assim, assim assado no trabalho.... fazendo frituras, cozinhando, dando banho maria..."

Pois veja Roberto, talvez por isso que para mim seja tão difícil fazer amizades no trabalho... para mim existiram quatro tipos de pessoas no trabalho:

  1. O filho da mãe: Aquele cara que você num vai com a cara... que tem cara de que atropela tudo e todos para ter o que quer. Seu relacionamento com este ser, se limita à educação "bom dia", "bom descanso" e "até amanhã"
  2. Colega: Aquele que às vezes vai almoçar com você, conversa sobre futebol, sexo e televisão... As vezes rola uma pelada com ele....
  3. Sexo Casual: vocês sabem do que eu estou falando...
  4. Amor: Vi muitos casais surgirem no trabalho....

O leitor identifica algum tipo de relacionamento que o Jeferson dificilmente identificou no trabalho?

Realmente, dos amigos que fiz no trabalho, poucos ainda mantenho contato, mesmo assim esporádico... parabéns a vocês que conseguiram amigos de verdade no trabalho... invejo vocês, parabéns!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Serviço ruim ou cliente chato?

Ontem eu recebi um e-mail da minha gerente... Notícia da Cosumidor Moderno, com o título "Abaixo das expectativas", a respeito de um estudo realizado pela Accenture, empresa onde trabalho.

Pra quem não tiver com paciência de ler, vou resumir: basicamente ele mostra alguns indicares de expectativas e satisfação do cliente, comparando Brasil com a Europa e Estados Unidos... e claro, até nisso nós somos piores: somos clientes mais insatisfeitos.

Quando li a reportagem a pergunta que ocorreu foi: "por que somos insatisfeitos com nossos serviços?"

Me ocorreram 3 possibilidades:

  1. Os serviços no Brasil são ruins mesmo
  2. Nós somos mais chatos mesmo
  3. As referências estão erradas

Bom, como sempre, não estamos aqui para oferecer respostas, e sim questionamentos. Por isso a única coisa a dizer é que não se pode comparar a doçura da laranja com quão salgado é um bacalhau.

Os serviços oferecidos no Brasil são diferentes dos oferecidos nos EUA e na Europa, pois cada um destes lugares tem culturas diferentese... talvez o serviço no Brasil seja o melhor do mundo na prestação de serviços, porém, se os clientes brasileiros forem ainda mais exigentes mundo continuaremos com a percepção de que fazemos tudo errado.

Em vez de nos compararmos com quão satisfeitos estão os Norte americanos ou os Europeus, seria necessário uma revisão das necessidades dos consumidores brasileiros. Claro que boas idéias podem surgir de fora, mas normalmente as respostas estão em nós mesmos, como é dito quase como um clichê em todos os livros de auto-ajuda...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Brasil, Gurgel BR-800 e Tata Nano

Eu ainda estou tentando encontrar qual a diferença destes dois carros, expoentes do compactação do meio de transporte, arqui rivais de 20 anos de diferença (como no ultimo filme do Rock).


Cilindradas: 792m³ / 2 cilidros (obrigado pela correção Warguest)
HP: 36cv
RPM: 5500
Cambio: 4 marchas
Tração trasseira
Peso: 645kg
Garantia: 30.000km
Velociadade Máxima: 120km/h
0-100km/h: 35segundos
Consumo médio: 13,6 km/l


Cilindradas: 792m³ / 2 cilindros
HP: 33cv
RPM: Não encontrada
Cambio: 4 marchas
Tração dianteira
Peso: Não encontrada
Velociadade Máxima: 70km/h
Consumo médio: 20 km/l

Será vendido a aprox. 5 mil reais.

Eu não seria capaz de comparar o Nano com o BR-800, pois em 1987 eu mal sabia o que era um carro, e agora em 2008 nem ao menos vislumbro a possbilidade de dirigir um Nano.

Em 1990, no Brasil, foi concedido um benefício fiscal (para facilitar o acesso da população ao carro 0km) para aqueles que produzissem carros com menos de 1000cc, que passariam a se chamar de Populares. Logo quando o benefício foi criado, apenas duas fábricas contavam com carros, de 1000cc: Gurgel com o Br-800 e supermini, e a FIAT, com o Uno Mille.

Naquele momento, estes dois carros tinham tudo para explodir, e assim aconteceu com o Uno, mas a Gurgel, implodiu e faliu. Vários fatores contribuíram pra isso: abertura econômica do país realizada pelo até então presidente Fernando Collor (e consequente entrada de concorrência mais qualificada); a recusa de empréstimos para a Gurgel por parte de diversos membros do governo (considerado por alguns, como um boicote); e nossa tendência a acreditar que o que é "gringo" é melhor, mesmo se for da Índia.

Naquele momento da história do automóvel era inimaginável um carro que fizesse 20km/l de gasolina, e nete quesito o Uno Mille ainda estava bem longe. Se a Gurgel tivesse sucedido, qual seria o cenário hoje? Talvez, tivéssemos carros mais baratos e econômicos no Brasil, e com uma outra configuração (carros ainda mais compactos que os populares). Porém, as montadoras não tem interesse em fazer carros super compactos e baratear ainda mais seus produtos, seria necessária uma grande transformação de infra-estrutura e de estratégia corporativa (pois as grandes vendas no Brasil vem dos carros populares).

O que o Nano tem a ver com isso? Bom, ele utiliza o mesmo conceito, e pelos primeiros boatos, ele é até piorado em questões de desempenho (velocidade, hp, cilindradas, etc.). A princípio ele não será vendido para todo o mundo, ficará restrito apenas à India, onde nasceu. O conceito foi relançado, agora do outro lado do mundo, e talvez a mode a pegue (você acredita nisso?).

Para Índia e China, este tipo de carro pode ser realmente interessantíssimo, para aquecer ainda mais suas economias (é o primeiro passo para o pobre largar sua bicicleta, muito comum na China, e ir atrás do seu carro).

Estes países contam com uma forma mais organizada de crescimento que o Brasil. Nós certamente instaurariamos o caos no país imaginem:

  1. As quatro principais montadoras se adaptando para o novo modelo
  2. Milhões e milhões de pessoas indo atrás de crédito
  3. Pessoas usando seus crédito para conseguir seu primeiro carro

O resultado certamente seriam: aumento abusivos de juros, trânsitos ainda mais caóticos nas principais capitais e um colapso nas companhias automotivas para se adequarem às novas demandas (infra-estrutura e recursos humanos).

Tudo isso, pode parecer um grande exagero, mas talvez o Brasil tenha perdido o ponto para o crescimento, e tudo que se faz agora é evitar mudanças e o caos.


fontes:
http://www.gurgel800.com.br/publicacoes/quatrorodas/c12/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gurgel_Supermini
http://noticias.vrum.com.br/.../template_interna_noticias.shtml
http://blog.motor21.com/motor-consumo/llega-el-coche-mas-barato-del-mundo-tata-nano-37697

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